quinta-feira, 31 de março de 2011

BIAL, LEMINSKI E O BBB

                                                      
                                                       BIAL, LEMINSKI E O BBB
        


         Em suas elocubrações poéticas, exercitadas sempre que um "heroi" ou "heroina" BBB vai ser detonado (a) , o apresentador Pedro Bial – um excelente poeta por sinal – gosta de citar Paulo Leminski, o curitibano grande inovador da poesia, falecido prematuramente aos 45 anos de idade. Mas eu acho que o Bial omite, de propósito e em benefício próprio, esta pérola do Leminski: “A vida não imita a arte. Imita um programa ruim de televisão”. Grande Leminski! Esse sabia das coisas!

quarta-feira, 30 de março de 2011

ELA SÓ QUER, SÓ PENSA EM ... FICAR!



ELA SÓ QUER, SÓ PENSA EM ... FICAR!


Eu quero falar um pouco
Dessa tal modernidade
Que já faz parte da vida
De toda a sociedade
Pois até no interior
Também acham que o amor
É mera formalidade.

Houve um tempo em que o jovem
Fosse homem ou mulher
Queria ser a metade
De um par perfeito qualquer
Hoje a coisa anda mudada
Do passado quase nada
É outra a realidade.

Mandacaru “fulorava”
Lá na seca do sertão
Era tempo das mocinhas
Abrirem o coração
Hoje basta só “ficar”
Já não pensam em namorar
É outra a situação.

Agora é beijar na boca
Transar, fazer coleção
Sair com um e acordar
Com outro em outro colchão
É grande a promiscuidade
Falta responsabilidade
No prazer e diversão.

Dá pena ver as meninas
Com tanta precocidade
Se transformarem em mamães
Ainda na flor da idade
E isso ainda não é tudo
Porque também tem o estudo
Que é o grande prejudicado.

E o que dizer do rapaz
Que posa de garanhão
Que dispõe de uma ficante
Para cada ocasião
Mas quando a coisa complica
Desaparece, não fica
Deixa a menina na mão.

O que dá prá deduzir
De toda a situação
É que essa mocidade
Anda perdendo a razão
E sem razão e juízo
Quem fica com o prejuízo
É o próprio coração.

E que culpa tenho eu
Que sou pai como você
Vendo a coisa acontecendo
E deixando acontecer?
Pode ser que uma conversa
Que é o que mais interessa
Pode o assunto resolver.

Há que haver na família
Muito amor e união
Precisa haver amizade
Diálogo e religião
Pois tendo em que acreditar
O quadro pode mudar
Sem castigo ou repressão.


Há que haver também no jovem
A mínima percepção
De que tem que haver amor
Na vida e na relação
Que toda paternidade
Traz responsabilidade
E exige dedicação.

terça-feira, 29 de março de 2011

SALVADOR - 462 ANOS

        

                               SALVADOR - 462 ANOS

A cidade de Salvador está fazendo aniversário. São 462 anos, desde que Thomé de Souza decidiu desembarcar no Porto da Barra, para conferir "in loco",  " o que a baiana tem". É motivo de festa, certamente, apagar mais esta velinha em comemoração à musical e hospitaleira cidade de Salvador. Mas o evento não pode esconder as suas muitas mazelas, como o abandono a que vem sido submetida nos ultimos anos. Honestamente, dá pena e vergonha contemplar o elevador Lacerda, lá do Mercado Modelo, e ver aquela imponente estrutura arquitetônica em meio àquela paisagem decrépita de ruinas históricas, que reclamam uma restauração. O próprio Mercado é um vexame, Talvez um dos pontos mais visitados pelos turistas e todos os soteropolitanos que amam a cidade, está também entregue ao descaso. Com aquele mau cheiro de urina em volta,e aquelas pedras portuguesas soltas. Sem falar nos buracos. Dia de aniversário é dia de ufanismo. Mas também de reclamar. Salvador não merece este descaso. E a nossa cultura do "deixa pra lá que tudo é festa", tem a sua parcela de culpa nisto. Afinal, teimamos em manter no poder, aqueles que maltratam esta querida Soterópolis. Parabéns para São Salvador. de Caimmy e João Gilberto. E do Itaparicano João Ubaldo que, espertamente, preferiu ter a visão magnífica e privilegiada, do lado de lá!

* * *

No video, o estado de espírito da terrinha, nesta musica que eu considero o hino da cidade de Salvador: Clique no link abaixo e transporte-se para a Bahia.

http://www.youtube.com/watch?v=gMPa7tuI4zQ

ECOS DE PRATES E INVICTUS



                         ECOS DE PRATES E INVICTUS

 

                               Sou cidadão do mundo
                              “Capitão da minha alma”
                               Não quero quietude
                               Nem calma
                              Aposto nos desafios!

                             A vida diferente
                             Insípída e transparente
                            Não tem graça
                            Quero emoção
                            Quero tensão e tesão!

                           Quero a rebeldia
                           Muito mais que o amor
                           E que a poesia
                           Quero revolução
                           Prefiro o nucleo do tsunami
                           E a fonte do furacão!


                                       * * * * *


Inspirado no poema Invictus de William Ernest Henley e no texto: " FRASE 193 " (T2877500)
De:
Elder Prates

sábado, 26 de março de 2011

CANALHA, SUBSTANTIVO FEMININO



           CANALHA, SUBSTANTIVO FEMININO
       

         A palavra canalha é um substantivo geralmente associado ao homem. Não poderia ser diferente já que, embora tenham ocorrido mudanças significativas, ainda vivemos numa sociedade machista. E é desse machismo que derivam algumas situações, nas quais se enquadram os canalhas. Mas seria a canalhice, uma prerrogativa dos homens? A jornalista Martha Mendonça diz que não. E questiona essa prerrogativa no seu livro “Canalha, substantivo feminino”, onde afirma que as mulheres “ também podem ser cruéis e cafajestes em uma relação a dois”. “As canalhas se fazem de vítimas, fazem com que os outros sejam prisioneiros.
          No livro, Martha traz histórias narradas na primeira pessoa. E nelas, “é a mulher quem trapaceia, mente, trai e, sem dó nem piedade de seus companheiros de trama, usa e abusa dos sentimentos alheios” . Ali estão os - não tão raros - exemplares da natureza amoral que a jornalista conjuga em gênero feminino. A jornalista lista, entre as tantas, a que ela considera a pior: aquela que é a frágil e manipuladora. “Elas atuam na vitimização, na chantagem emocional e vão pondo o homem contra os filhos, contra a família, Até conseguirem o que querem.
         A jornalista afirma que não quer dizer, com o livro, que a mulher é canalha, mas sim que ela pode ser também. Como pode ser tudo. “A gente tem capacidade para tudo. Até para ser canalha, por que não?” Ao responder sobre se as mulheres podem ser mais canalhas que os homens, a jornalista respondeu: “depende dos canalhas, de ambos os lados. As canalhas se acham as piores, pelo menos é o que acham os homens. Costumo dizer que os homens são mais canalhas na quantidade. Já as mulheres são mais canalhas na qualidade".
         Segundo Martha, o livro foi escrito a partir da idéia de “Meu querido Canalha”, uma coletânea de contos onde os homens eram sempre sedutores e as mulheres tremendamente idiotas. Aborrecida, ela se propôs a mostrar que não é bem assim. E no avesso da história, ela homenageia os autores homens do livro da referência, dando os seus nomes aos seus personagens: Ruy (Castro), Geraldo (Carneiro) e Marcelo (Madureira), entre outros.

* * * * * *


Editora Record
Gênero_Crônicas/Contos
_ 144 páginas
Preço: R$ 29,90


quarta-feira, 23 de março de 2011

EU ME AMO!



EU ME AMO!


Do amor desfaço-me agora dos tentáculos
O que vivi, já me é mais do que o bastante
Pesei, medi, refiz todos os meus cálculos
Só quero amar a mim mesmo, doravante!

Viver de amor, quanta ilusão, quanta tolice
O amor existe, eu bem sei, mas na poesia
Enquanto dure, é infinito, alguém já disse
Mas não disseram que também é fantasia!

Meu coração já viveu um amor eterno
Foi tão eterno, que há muito se acabou
Nem lembranças rabiscadas num caderno
Daquele amor, que era eterno, não ficou!

Não quero ser mais o príncipe encantado
Quero ser sapo, que é muito mais feliz
Não quero o beijo, friamente calculado
Nem mesmo quero, do amor, ser aprendiz!

segunda-feira, 21 de março de 2011

SOLIDÃO A DOIS

                              
                                 SOLIDÃO A DOIS


Permita-me que eu te ofereça
A minha imperfeição
A minha insegurança e
Quem sabe
O meu coração!

Não te prometo amor
Mas dividirei contigo
A minha paixão
A minha solidão
Será de nós dois
Antes e depois!

Não me peça nada
Quando acordar
Na madrugada
Espere o sol nascer
Antes de partir
E me esquecer!

MINHA UTOPIA


MINHA UTOPIA

Eu quero ouvir do pássaro o canto livre
E cantar no próprio canto, a liberdade.
Quero ver sonhos de paz, realizados
E, antigos inimigos, aliados!

Quero a justiça por igual repartida
Sem trocadilhos de pesos e medidas.
E tudo o que for pelo homem conquistado
Ungido com o sal do suor derramado!

Quero ter ainda a certeza da vida
Das muitas gerações que estão por nascer.
Saber despoluídos os rios e mares
E ver felicidade em todos os lares!

Quero a liberdade plena da palavra
Mas que ela seja franca e clara como o dia.
Quero ver banidas a ilusão e a hipocrisia
O cinismo, o deboche e a demagogia.

Não quero ver nos palanques, gabinetes e plenários
Reluzindo o ouro da corrupção
E travestidos de anjos, ladrões tantos
Rogando sem pudor o nome de santos!

Quero que tudo aquilo que sabemos ser de todos
Não sirva de repasto à ganância de alguns.
E que o pão retirado da boca de milhões
Não seja servido impune à mesa de ladrões!

Eu quero o triunfo da ética e da decência
Quero as portas fechadas para a impunidade.
Ter a alternativa como cidadão e como homem
De não sentir vergonha da honestidade!

sexta-feira, 18 de março de 2011

UM TOQUE DE MAGIA


                                                         Imagem Google



UM TOQUE DE MAGIA

Não podia imaginar naquele dia
O que viria
Quando os nossos olhos se olharam
E entraram em sintonia.

Estava escrito
Eu sabia
Tinha algo de magia
Coisa de pele
Eu diria
Fusão de duas metades
Simbiose e alquimia!

O MENSALÃO CHEGA ÀS FORÇAS ARMADAS



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O MENSALÃO CHEGA ÀS FORÇAS  ARMADAS   
  

         Sou militar há quarenta e um anos, trinta dos quais na ativa na Marinha do Brasil. Enverguei durante todo esse tempo, e com muito orgulho, o uniforme da gloriosa Armada. Sempre fui um militar disciplinado, correto e cumpridor dos meus deveres. Estive embarcado durante treze anos e não pude acompanhar, como gostaria, o crescimento e desenvolvimentos dos meus quatro filhos. Uma pesada tarefa que foi desempenhada com muito esforço e dedicação, quase que exclusivamente pela minha mulher. Fiz todos os cursos de carreira e recebi todas as promoções a ela inerentes, sempre por concurso e por merecimento. O meu conceito médio, ao final da carreira, numa escala de zero a cinco, foi cinco. E jamais sofri qualquer tipo de punição por qualquer tipo de infração aos Regulamentos e Códigos Militares. Fui várias vezes elogiado por meu desempenho profissional, e formei, como instrutor, centenas de outros profissionais, nos doze anos em que atuei no ensino. Paralelamente à carreira militar, consegui estudar e me formar em uma universidade, não sem muito esforço e perseverança, aos quarenta e dois anos de idade. O que fiz, na minha vida militar ou civil, nada tem de excepcional. É isso o que faz a quase unanimidade dos militares. Fazemos o que aprendemos a fazer e ensinamos o que aprendemos. E esse processo ensino-aprendizagem baseia-se principalmente no exemplo: eu faço, você faz, nós fazemos. Até que você faça igual ou melhor do que eu.
         Porque estou dizendo isso? Porque venho aqui fazer este breve retrospecto da minha vida como militar? Porque neste momento eu estou sentindo vergonha do que sou. Não tenho vergonha do que fui. Tenho vergonha do que sou, porque sou um militar que a partir do ultimo dia 10/03, tem como um dos seus comandantes, um cidadão que está indiciado no STF como criminoso, participante da quadrilha do capo Jose Dirceu, nominado pelo então Procurador Geral da República como “Chefe de uma Organização Criminosa”! Estou falando do Sr. José Genoino, que acaba de ser nomeado Assessor Especial (?) do Ministério da Defesa, e que em épocas não muito distantes pegou em armas contra as próprias Forças Armadas, em nome do seu ideal socialista. Isso é o de menos. E a Lei da Anistia, que estes mesmos elementos insistem em rever, já curou esta ferida. Estou falando é do homem José Genoino, que prevaricou como parlamentar e que foi rejeitado nas urnas pelo povo. Estou falando é de um homem ficha suja, que estará em posto de comando de homens a quem é exigida uma vida e comportamento exemplares e ficha limpa. É preciso que se saiba, que uma simples contravenção disciplinar pode tirar uma promoção de um militar, prejudicando-o na carreira. Como se sentirá esse homem, sabendo que tem que prestar reverências a um cidadão indiciado como criminoso?
          Sinceramente, não acredito que não haja um outro nome que pudesse assumir essa função no Ministério da Defesa. Estaremos neste país, tão carentes de homens idôneos? Terá sido por isso que o Sr. João Paulo Cunha, outro indiciado no mesmo processo, tenha sido eleito para a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara? Não! Acho que é mesmo uma forma de afrontar a opinião pública e os militares. Isso certamente é ideia gerada na cabeça de alguns setores revanchistas, que permeiam este governo.
           Me espanta o silêncio da cúpula militar. É certo que vivemos uma democracia, e que os militares devem ocupar-se exclusivamente das suas funções constitucionais. Mas a uma afronta, tão clara e gratuita quanto esta, esperava-se algum tipo de manifestação. Não estou falando de uma renuncia coletiva dos srs. comandantes, é querer demais. Mas de uma manifestação, qualquer que fosse, mas que demonstrasse descontentamento. Esse silêncio é motivo ainda maior da minha vergonha.

quinta-feira, 17 de março de 2011

MULHERES

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MULHERES

Há mulheres que se revestem de alegria
Que esbanjam glamour e empatia
E as usam como maquiagem ou disfarce
No dia a dia
Há mulheres que são santas
Outras que, em si, são tantas
Que confundem a si próprias
Tornam-se vulgares e impróprias
Adornos de cama!

Há mulheres que brilham
E cujo brilho encanta e se irradia
Outras ostentam um brilho
Que não é permanente
Um brilho fugaz e aparente
De bijuteria!

Há mulheres que são vinhos raros
Outras nem tanto
Mas que embriagam e seduzem
Tanto quanto
Mulheres que hipnotizam
Com um falso encanto
São mulheres vorazes e atrevidas
Não raro carentes e oferecidas!

PÁGINAS VIRADAS

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PÁGINAS VIRADAS

Perco-me a ouvir histórias
Gritadas lá de dentro
Da minha memória
Algumas tão recentes
Outras nem tanto
Algumas tão freqüentes
Outras inconstantes
Algumas ainda tão perto
Outras tão distantes
Todas páginas perdidas
Esquecidas
Em algum canto!

E essa voz que me fala
Que cala a minha voz
Quando fala
Quando remexe lembranças
Que eu julgava esquecidas
Me traz de volta as páginas viradas
Da minha vida
Fragmentos deste livro reaberto
Com começo
Meio
E um final incerto!

CARTA DE ALFORRIA

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CARTA DE ALFORRIA

Rompeu-se aquele elo que me mantinha preso
Com ele foi-se o encanto, o toque de magia
E a aura de sedução que me deixava aceso
Deu-me ao consumir-se a carta de alforria.

Liberto o coração a alma ainda pena
A espera que o tempo traga o esquecimento
Quando as lembranças sairem de cena
E ela possa abrir-se em novo movimento.

Bem sei é impossível não guardar saudade
Se os sonhos se desfazem ficam os momentos
Tão plenos de ternura e de felicidade
Marcados feito tatuagem no meu pensamento.

A hora é de adeus, diz um coração sensato
É tempo de partir, sem alarde e sem demora
Permitir que os sonhos ensaiem um novo ato
Em que o amor não seja usado e depois jogado fora!

ESSA TAL DE SAUDADE


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ESSA TAL DE SAUDADE

Não sei bem se é saudade
Essa coisa tão estranha
Que me invade
Sei que me aperta o peito
Me deixa assim sufocado
Um tanto desatinado
Com defeito!

Não sei bem o que se passa
Tudo em volta é tão tristonho
Sem graça
Deve ser mesmo saudade
Ainda bem que isso machuca
Mas passa!

NUDEZ

Nudez - Pintura de Giuseppe Dangelico
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NUDEZ

Eis que me foi posta a tua geografia
Em cartas de navegação
Em versos de uma poesia
Teus altos e baixos
Teus belos contornos
Não devem ficar ocultos
Sob adornos!

Despe-te pois
Das vestes que te profanam
Mostra-te inteira
Arranca essa cortina
Nudez não é pecado
Para o ser amado
É festa para a retina!

O DIFÍCIL OFICIO DE AMAR

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O DIFÍCIL OFICIO DE AMAR
É do oficio de amar
O desencanto
Posto que não existe amor
Sem que haja algum pranto
É do oficio de amar
A saudade
Posto que a presença
Não pode ser constante
E a ausência sempre se faz
Em algum instante
É do ofício de amar
A desilusão
Posto que se confundem
Amor e paixão
É do oficio de amar
O perdão
Posto que quebrado o encanto
Não desama o coração

UM POUCO ALÉM DO MEU MAR

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UM POUCO ALÉM DO MEU MAR

Eis que me desfaço em lembranças
E abrem-se como comportas
As gavetas da minha memória
Com seus retratos em preto e branco
Com suas histórias
E as lágrimas antes contidas
Rolam soltas
E formam lagos que me mostram refletidas
Imagens de toda uma vida!

Saudades tantas
Meu Deus
Quantas!
Lembranças tantas e tão palpáveis
Dos momentos felizes e agradáveis
Nas terras de outro lugar
Distantes da minha rua
Da minha aldeia
Um pouco além do meu mar!

O DOCE VENENO DA PAIXÃO


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O DOCE VENENO DA PAIXÃO

Dá-me a beber do teu cálice
Eu te suplico
Beija a minha boca como beijam
Os beija-flores
Sacia a minha sede
Com o saboroso veneno
Que mora nos teus lábios
Sensuais e sedutores!

Mata-me depois de amor
Ou de paixão
Penetre as minhas entranhas
E me tome o coração
Pois morrer de amor
Pouco me importa
Se a minha alma sem te amar
Já está morta!

FOGO

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FOGO

Tardia
A chama ardia
Chama talvez nem mais fosse
Mas ardia
Nas madrugadas frias e carentes
No amanhecer de cada dia
A chama ardia
E o fogo não se apagava
Inflamava
E ainda mais ardia!

FALSO BRILHANTE

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FALSO BRILHANTE

Era falsa, eu bem sei, aquela luz que luzia
Um belo sol de mentira
Iluminando o meu dia
Eram bijuterias os brilhantes
Eram vidros os cristais
Falsos os diamantes
Todas luzes artificiais!

Era a lua
De papel
Como um risco côncavo de giz
Feito no céu
E o brilho que seduzia
Era apenas alegoria!

MENTIRAS

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MENTIRAS

Mentes
Na verdade mentes somente
Por descuido
Mas te descuidas frequentemente
Te descuidas da verdade
Somente!

Mentes
Sequente e inconsequentemente
Mentes
Cândida e docemente
Plácida e delicadamente
Mentes compulsivamente
Mentes simplesmente!

Tuas mentiras bem ditas
Soam como verdades
Quando mentes
Principalmente
Quando mentes o que dizes que sentes
Entretanto
Jamais sentes o que mentes!

INVENTÁRIO



INVENTÁRIO

Sei muito destes sentimentos que me afloram
Vez por outra
Ao ouvir canções
Sentir odores
Cheiros de terra molhada
De flores
Cacos de recordações  perdidos
Aqui e ali
Nas prateleiras da memória.

Sei muito mas tão pouco
Destes retalhos
Atalhos de descaminhos
Onde deixei rastros
Dos passos que dei
Ou que deixei de dar
Pelos caminhos que caminhei
Por outros que não pude
Caminhar.

Restam-me lembranças
Bem sei
Do muito que sonhei
Do muito que pensei fazer
E que não fiz
Mas que não me impediu
De ser feliz!

OLHARES EM BRASA

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OLHARES EM BRASA

Inocência e pecado
Êxtase e encantamento
Nesses olhares explícitos e transparentes.

Não há segredos nesses olhares
Concupiscentes
Um tanto angelicais
Um tanto indecentes!

O desejo transborda
Tão mágico é o momento
Em que os olhares não escondem
O que vai no pensamento!

BOBAGENS TIPO EU TE AMO

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BOBAGENS TIPO EU TE AMO

Palavras
Uma vez proferidas
Longe de vagarem perdidas
Ganham vida
Conspiram e juntam-se em discursos
Às vezes pertinentes
Contundentes
Às vezes frios
Fúteis e vazios
Ou hipócritas
Sensacionalistas
Reacionários
Moralistas
Em outras juntam-se em versos
E ansiosas buscam bocas
Feito loucas
Bocas à moda antiga
Dessas que dizem bobagens
Assim tipo eu te amo!

MESMICES


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MESMICES

Não me quero ver outra vez desperto
Em mais outra manhã de duvidoso astral
Se o dia que está à minha espera
É tão igual
Se a mesmice da casa vazia
Silenciosa
Tristonha e tão fria
Já faz parte do normal!

Prefiro os pesadelos
Da noite mal assombrada
Das correntes arrastadas
Do ranger das portas
Dos passos na escada
Prefiro o suor frio
O calafrio
Na madrugada!

É tudo deprimente
O cotidiano e o marasmo
O cinismo e o sarcasmo
O riso pétreo
Das pessoas
Moldado e permanente
É tudo tão inerte
Mas ao mesmo tempo
Tão urgente!

É tudo tão desprovido
De sentido
Como deve ser acordar de um sonho
Sem ter dormido
Ou fechar de vez os olhos
Sem ter vivido!

MENSAGEM DE AMOR

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MENSAGEM DE AMOR

Vou espalhar em garrafas
Mensagens de amor pelos sete mares
Vou gritar teu nome e o meu amor
Para a eternidade
Para que alguém com mil anos de idade
Possa ouvir!

E numa praia distante
De um improvável futuro
Em um lugar qualquer
Alguém saberá do amor de um homem
Por uma mulher!

TIMIDEZ


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TIMIDEZ

Sei quanto me custa esta solidão
Esta frase presa num grito contido
Sei quanto me custa esse tempo em vão
Sei deste momento para sempre perdido!

Talvez me custe um beijo, me custe um afago
A minha timidez e a minha indecisão
Mas o que fazer, se é este o preço pago
Por quem não se abre a outro coração?

Pode ser que um dia eu cruze a barreira
Esse abismo imenso que eu mesmo criei
E possa encontrá-la além dessa fronteira
Para viver o sonho que sempre sonhei!

MEU JEITO KAMICASE

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MEU JEITO KAMICASE

Posto que sou mutação e inconstância
Um verso inacabado
Mero rascunho
E ainda que a força do meu punho
Quebre barreiras
Penso que estarei a vida inteira
A brigar comigo!

Não sei se mereço prêmio ou castigo
Por certas atitudes que parecem afronta
Sei que também me amedronta
Essa minha fúria nem sempre contida
Este meu jeito “kamicaze”
De viver a vida!

ATÉ PARECE QUE É AMOR

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ATÉ PARECE QUE É AMOR

Tão distante
E tão perto de mim
Acho que é assim
Que acontece
Esse amor de faz de conta
Que ninguém merece!

Esse amor complexo
Sem nexo
Sem sexo
Esse amor platônico
Tão antigo
Esse amor que acontece com voce
E comigo!

Pensando bem
Nem sei bem se é amor
Isso que a gente sente
Essa coisa diferente
Que acontece com a gente!

A BELA DA CASA AMARELA

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A BELA DA CASA AMARELA

No final daquela rua
Naquela casa amarela
Mora uma linda donzela
Que é a menina mais bela
Que já ví!


Tem o cabelo dourado
E no rosto bem rosado
Um sorriso encantador
Tem os olhos tão bonitos
Que ao fitá-los fico aflito
Que nem lhes distingo a cor!

Essa menina tão bela
Daquela casa amarela
Que fica naquela rua
Nem percebe que eu existo
Vive a flertar com a lua!


Que lá no céu displicente
Vê a moça indiferente
Enquanto dança e flutua
Eu continuo a sonhar
Que um dia vou me casar
Com a bela daquela rua!


A POESIA NO VARAL - Voz Lu Genovez

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A POESIA NO VARAL - Voz Lu Genovez

Todos os dias
Abro a minha escrivaninha
E componho o meu varal
Pego algumas poesias novas
Ainda fresquinhas
E estendo
Lá no quintal
Fico vendo-as secar
Atento
Pode vir um temporal
O tempo
Ah! Esse tempo
Anda tão anormal
Talvez o sol desatento
Nem seque a minha poesia
A tempo do sarau!

PATATIVA DO ASSARÉ - UMA HOMENAGEM


PATATIVA DO ASSARÉ - UMA HOMENAGEM


Em mil novecentos e nove
Com a benção do Criador
Em Assaré, no Ceará
Filho de um lavrador
Vem ao mundo um menino
Que por obra do destino
Viria a ser cantador.

Antonio Gonçalves da Silva
Já com oito anos de idade
Tinha fama de violeiro
Em toda a sua cidade
Não freqüentava a escola
Nem sei se por jogar bola
Fazia gosto e vontade.


Somente aos doze anos
Foi ele alfabetizado
Até então o menino
Nunca havia estudado
Mas não chegou nem a um ano
Seis meses se não me engano
Foi o seu aprendizado.

Se o estudo não foi o bastante
Pra ele foi suficiente
Porque também precisava
Pegar duro no batente
Então comprou uma viola
Não mais voltou à escola
E tocou a vida em frente.




Foi em Belém do Pará
Numa viagem festiva
Que ganhou de um amigo
A alcunha de Patativa
E assim foi batizado
O cantador afamado
Antonio Gonçalves da Silva

Mas Patativa eram todos
Os cantadores de então
Era muita patativa
Pra o gosto do cidadão
Pra fazer a diferença
Da sua terra de nascença
Trouxe a denominação!

Patativa do Assaré
Surge pra posteridade
Com esse nome o poeta
Alcança a imortalidade
Leva ao mundo a sua mensagem
E também faz homenagem
A Assaré sua cidade.


Os seus poemas transcritos
Por Jose Arraes de Alencar
Compõem o primeiro livro
Que ele vem a publicar
Inspiração Nordestina”
Só vem confirmar sua sina

De poeta popular

 Tempos depois Patativa
Já então um homem feito
Poeta e improvisador
E cantador por direito
Desposa a dona Belinha
Que vai ser musa e rainha
Daquele grande sujeito.



Mais tarde o amigo Gonzaga
Grava “A triste Partida”
Um poema melancólico
Feito em tons de despedida
De uma família do sertão
Que sem ter agua e sem pão
Parte pra mudar de vida

Esse tema é recorrente
Nos versos de Patativa
A dor do irmão nordestino
E a sua coragem altiva
Também o descaso e a omissão

Com a gente do sertão
Que a fome torna cativa.

Mas não é só de tristeza
Que é feita a sua poesia
Ela revela beleza
Força, fé e alegria
Cântico de amor ao nordeste
Ao sertão e ao agreste
Versos de pura magia!

A lenda, o homem e o mito
O ilustre cidadão
Autodidata aclamado
Com títulos e distinção
Foi sempre simples e amável
Este poeta notável
Um gênio de pé no chão.


Sua arte é referência
Para as novas gerações
Que bebem da sua fonte
Cultivando as tradições
Repentistas, violeiros
Todos eles seus herdeiros
Da sua obra, guardiões.

Sei que não faço justiça
Ao poeta imortal
Mas por meio do cordel
A fala é mais natural
Pra Patativa no céu
Eu vou tirar o chapéu
Como o meu ponto final!


CAETANO VELOSO E A VINGANÇA DO BREGA

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CAETANO VELOSO E A VINGANÇA DO BREGA


         Caetano Veloso, ou Caetano Emanuel Viana Telles Veloso, um baiano natural de Santo Amaro da Purificação no recôncavo, é quase uma unanimidade no cenário artístico nacional e internacional. Embora tenha feito incursões em outras áreas da expressão artística, como cinema e literatura, destacou-se principalmente como compositor e intérprete da boa MPB, onde sempre foi vanguarda desde o final da década de 60, quando estourou com Alegria, Alegria, no Festival da Record de 1967. A música foi, juntamente com Domingo no Parque, de Gilberto Gil, a expressão e a síntese do Tropicalismo, um movimento musical fundamentado filosoficamente na antropofagia (fusão de elementos da cultura estrangeira com a brasileira) de Oswald de Andrade.
         Caetano, tido como um erudito em suas criações, sempre teve um público seleto e fiel. E apesar das suas composições poeticamente incomparáveis e únicas, quase todas verdadeiras obras primas, a sua vendagem sempre foi baixa em relação ao seu talento. Principalmente se comparada com outras expressões de talento duvidoso e vendagens astronômicas, tão comuns no meio musical. 
         Em 1999 Caetano gravou Sozinho, de Peninha (Aroldo Alves Sobrinho), um cantor romântico paulista rotulado de brega. A música virou tema da telenovela Suave Veneno da TV Globo, e garantiu a venda de mais de um milhão e quatrocentas mil cópias do disco Prenda Minha. A vendagem expressiva garantiu-lhe também um inesperado Disco de Diamante, e constituiu-se em algo inimaginável para os seus discos, um tanto quanto clássicos e nem um pouco comerciais. Embora já tivesse gravado Sonhos, do mesmo compositor em 1982, foi mesmo com Sozinho que Caetano conquistou finalmente o grande público
          A partir de então, o moço tomou gosto pela coisa. E gravou mais compositores enquadrados pela mídia na depreciativa categoria de bregas, como Fernando Mendes, que junto com José Wilson e Lucas, são os autores de Você Não Me Ensinou a Te Esquecer, da trilha sonora de Lisbela e o Prisioneiro. Mais recentemente o baiano gravou Moça de Wando, o papa da categoria e grande (talvez o maior) sucesso do arremessador de calcinhas. E a música, em sua nova roupagem, caiu de novo na boca do povo.
         Em resumo, não existem músicas ou intérpretes bregas. Existem críticos bregas e ouvintes preconceituosos, que criam rótulos para nominarem aquilo de que não gostam ou entendem. Qualquer compositor rotulado como brega ou trash, na voz de Caetano passa a ser cult. Foi assim também com Claudinho e Buchecha, que viraram cult na voz de Adriana Calcanhoto.
         Eu sugeriria ao Caetano, que possui esse mágico poder de desfazer rótulos, gravar um CD inteirinho com músicas de Waldick Soriano (Euripedes Valdick Soriano para quem não conhece, já transformado em ícone através do documentário de Patricia Pilar), para homenagear o conterrâneo da Bahia já falecido, e calaria de vez a boca dos preconceituosos.
         Salve o Mano Caetano! E toda a legião de românticos"bregas", enfim redescobertos e prestigiados!

A MAGIA DO CINEMA – Cinema Paradiso


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A MAGIA DO CINEMA – Cinema Paradiso


Vem de muito longe a minha paixão pelo cinema. Deve ter começado quando eu tinha cerca de oito anos, quando o meu olhar de criança contemplava extasiado aquelas imagens produzidas por um velho projetor de 16mm, que vez por outra aparecia, trazido por pastores batistas, à minha pequenina cidade de Buritizeiro no interior das Gerais. Eram sempre filmes bíblicos, a nos atemorizar com a ameaça do fogo do inferno.
         Depois vieram as inesquecíveis sessões de cinema, no Cine Paratodos, no Avenida ou no cine Vitória, na vizinha cidade de Pirapora. Como o Totó, de Cinema Paradiso, eu freqüentava a sala dos projetores, e a amizade com o projecionista me garantia algumas partes das películas que eram recortadas. 
         Vem das salas de cinema, daqueles momentos que antecediam o apagar das luzes, a minha paixão por trilhas sonoras. Adorava o silencio das salas, para ouvir as tais musicas “orquestradas” Algumas delas ainda hoje ressoam na minha mente.    
          Então as luzes se apagavam e, na telona, Charlton Heston, heróico no papel de Judá Ben-Hur; Stephen Boyd, vivendo o seu algoz Messala; Franco Nero, imortalizando Django na minha memória; Jefrei Hunter vivendo Jesus em O Rei dos reis; Omar Sharif, dividindo o seu amor entre duas mulheres em Doutor Jivago ao som do Tema de Lara de Maurice Jarre, e os inesquecíveis tarzans, vividos por Johnny Weissmuller ou Gordon Scott: “mim Tarzan, você Jane”!
         Depois veio a ansia de completar os quatorze, para poder ter acesso aos filmes mais “quentes” e a ansia dos dezoito, para os filmes adultos. Depois... depois veio a televisão e o início da decadência. E aquelas amadas salas de fantasia foram sendo fechadas, cedendo lugar a lojas ou igrejas das novas religiões.
         Ao ver Cinema Paradiso pela primeira vez, emocionei-me ao ponto das lágrimas, ao rememorar aquele tempo, em que fui definitivamente tomado pela magia do cinema. Impossível, para quem gosta de cinema, não se emocionar e deixar cair algumas lágrimas, na cena em que o filme é lentamente deslocado da tela para a parede de uma casa, na praça. Ou na cena da implosão do Cinema Paradiso ; ou ainda no reencontro de Totó, já um cineasta famoso, com os personagens da sua infância. Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, talvez seja o filme que mais representa e sintetiza a emoção e a magia da sétima arte. E como se não bastasse, tudo transcorre sob a batuta do mestre Ennio Morricone, autor da trilha sonora.
Hoje, a grande maioria das cidades já não possui salas avulsas de cinema, mas a magia continua, em grandes complexos nos Shoppings ou na intimidade dos lares, em telinhas cada vez maiores e som surround dos home teather. Que bom, que a tecnologia não tenha matado o cinema, como previsto, mas tornado mais democrático e universal o acesso a ele. Embora nada substitua o prazer e a emoção da telona!